6 - Instrumentos de Coletas de Dados

6.1 - Questionário

      - O Questionário, numa pesquisa, é um instrumento ou programa de coleta de dados. Se sua confecção é feita pelo pesquisador, seu preenchimento é realizado pelo informante.
      - A linguagem utilizada no questionário deve ser simples e direta para que o respondente compreenda com clareza o que está sendo perguntado. Não é recomendado o uso de gírias, a não ser que se faça necessário por necessidade de características de linguagem do grupo (grupo de surfistas, por exemplo)
      - Todo questionário a ser enviado deve passar por uma etapa de pré-teste, num universo reduzido, para que se possam corrigir eventuais erros de formulação.


     6.1.1 - Conteúdo de um questionário:

      6.1.1.1 – Carta Explicação

A Carta Explicação deve conter:

      – A proposta da pesquisa;
      – Instruções de preenchimento;
      – Instruções para devolução;
      – Incentivo para o preenchimento e;
      - Agradecimento.


      6.1.1.2 – Itens de Identificação do Respondente
      - Para que as respostas possam ter maior significação é interessante não identificar diretamente o respondente com perguntas do tipo NOME, ENDEREÇO, TELEFONE etc., a não ser que haja extrema necessidade, como para selecionar alguns questionários para uma posterior entrevista (trataremos das técnicas de entrevistas posteriormente).

      A criação dos itens formulário segue as regras abaixo.


      6.1.1.3 – Itens sobre as questões a serem pesquisadas.

           6.1.1.3.1 – Formulário de itens sim-não, certo-errado e verdadeiro-falso;

Ex.: Trabalha? (   ) Sim (   ) Não


           6.1.1.3.2 – Respostas livres, abertas ou curtas;

Ex.: Bairro onde mora: ______________________________


           6.1.1.3.3 – Formulário de múltipla escolha;

Ex.: Renda Familiar:
   (   ) Menos de 1 salário mínimo
   (   ) 1 a 3 salários mínimos
   (   ) 4 a 6 salários mínimos
   (   ) 7 a 11 salários mínimos
   (   ) Mais de 11 salários mínimos


           6.1.1.3.4 – Questões mistas.

Ex.: Quem financia seus estudos?
   (   ) Pai ou mãe
   (   ) Outro parente
   (   ) Outra pessoa
   (   ) O próprio aluno

       Outro: _____________________________________



6.2 - Entrevista

Observações iniciais:
      - É necessário ter um plano para a entrevista para que no momento em que ela esteja sendo realizada as informações necessárias não deixem de ser colhidas.
      - As entrevistas podem ter o caráter exploratório ou ser de coleta de informações. Se a de caráter exploratório é relativamente estruturada, a de coleta de informações é altamente estruturada.


     6.2.1 - Sugestões de planejamento

      6.2.1.1 – Quem deve ser entrevistado
      Procure selecionar pessoas que realmente têm o conhecimento necessário para satisfazer suas necessidades de informação.


      6.2.1.2 – Plano da entrevista e questões a serem perguntadas

      Prepare com antecedência as perguntas a serem feitas ao entrevistado e a ordem em que elas devem acontecer.


      6.2.1.3 – Pré-teste

      Procure realizar uma entrevista com alguém que poderá fazer uma crítica de sua postura antes de se encontrar com o entrevistado de sua escolha.


      6.2.1.4 – Diante do entrevistado

      - Estabeleça uma relação amistosa e não trave um debate de idéias.
      - Não demonstre insegurança ou admiração excessiva diante do entrevistado para que isto não venha prejudicar a relação entre entrevistador e entrevistado.
      - Deixe que as questões surjam naturalmente, evitando que a entrevista assuma um caráter de uma inquisição ou de um interrogatório policial, ou ainda que a entrevista se torne um "questionário oral".
      - Seja objetivo, já que entrevistas muito longas podem se tornar cansativas para o entrevistado.
      - Procure encorajar o entrevistado para as respostas, evitando que ele se sinta falando sozinho.
      - Vá anotando as informações do entrevistado, sem deixar que ele fique esperando sua próxima indagação, enquanto você escreve.
      - Caso use um gravador, não deixe de pedir sua permissão para tal. Lembramos que o uso do gravador pode inibir o entrevistado.


      6.2.1.5 – Relatório

      Mesmo tendo gravado procure fazer um relatório o mais cedo possível.


6.3 - Observação

     6.3.1 - Sugestões para uma observação

      6.3.1.1 – Conhecimento prévio do que observar

      Antes de iniciar o processo de observação, procure examinar o local.
      Determine que tipo de fenômenos merecerão registros.


      6.3.1.2 – Planejamento de um método de registro

      Crie, com antecedência, uma espécie de lista ou mapa de registro de fenômenos. Procure estipular algumas categorias dignas de observação.


      6.3.1.3 – Fenômenos não esperados

      Esteja preparado para o registro de fenômenos que surjam durante a observação, que não eram esperados no seu planejamento.


      6.3.1.4 – Registro fotográfico ou vídeo

      Para realizar registros iconográficos (fotografias,. filmes, vídeos etc.), caso o objeto de sua observação sejam indivíduos ou grupos de pessoas, prepare-os para tal ação. Eles não devem ser pegos de surpresa.


      6.3.1.5 – Relatório

      Procure fazer um relatório o mais cedo possível.



6.4 - Análise de Conteúdo

      Os documentos como fonte de pesquisa podem ser primárias ou secundárias.
      As fontes primárias são os documentos que gerarão análises para posterior criação de informações. Podem ser decretos oficiais, fotografias, cartas, artigos etc.
      As fontes secundárias são as obras nas quais as informações já foram elaboradas (livros, apostilas, teses, monografias etc., por exemplo).


Sugestões para análise de documentos:

a - Locais de coletas:

      - Determine com antecedência que bibliotecas, agências governamentais ou particulares, instituições, indivíduos ou acervos deverão ser procurados.


b - Registro de documentos:

      - Esteja preparado para copiar os documentos, seja através de xerox, fotografias ou outro meio qualquer.


c - Organização:

      - Separe os documentos recolhidos de acordo com os critérios de sua pesquisa.



     6.4.1 - A Internet

      A Internet representa uma novidade nos meios de pesquisa. Trata-se de uma rede mundial de comunicação via computador, onde as informações são trocadas livremente entre todos.
      Sem dúvida, a Internet representa uma revolução no que concerne à troca de informação. A partir dela, todos podem informar a todos. Mas, se ela pode facilitar a busca e a coleta de dados, ao mesmo tempo oferece alguns perigos; na verdade, as informações passadas por essa rede não têm critérios de manutenção de qualidade da informação.
      Explicando melhor: qualquer um pode colocar sua "Homepage" (ou sua Página) na rede. Vamos supor que um indivíduo coloque sua página na "net" (rede) e o objetivo desta página seja falar sobre a História do Brasil: ele pode perfeitamente, sem que ninguém o impeça, dizer que o Brasil foi descoberto "por Diogo da Silva, no ano de 1325". Sendo assim, devemos levar em conta que toda e qualquer informação colhida na Internet deverá ser confirmada antes de divulgada.



     6.4.2 - Fichamentos

      O Fichamento é uma parte importante na organização para a efetivação da pesquisa de documentos. Ele permite um fácil acesso aos dados fundamentais para a conclusão do trabalho.
      Os registros e a organização das fichas dependerá da capacidade de oragnização de cada um. Os registros não são feitas necessariamente nas tradicionais folhas pequenas de cartolina pautada. Pode ser feita em folhas de papel comum ou, mais modernamente, em qualquer programa de banco de dados de um computador. O importante é que elas estejam bem organizadas e de acesso fácil para que os dados não se percam.
      Existem três tipos básicos de fichamentos: o fichamento bibliográfico, o fichamento de resumo ou conteúdo e o fichamento de citações.


      6.4.2.1 - Ficha Bibliográfica: é a descrição, com comentários, dos tópicos abordados em uma obra inteira ou parte dela

Exemplo:
Educação da Mulher: a Perpetuação da Injustiça (1)
Histórico do Papel da Mulher na Sociedade (2) ......................................................................................... (3) 2. (4)
TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1993. 181 p.
(Tudo é História, 145)

       Insere-se no campo do estudo da História e da Antropologia Social. A autora se utiliza de fontes secundárias, colhidas através de livros, revistas e depoimentos. A abordagem é descritiva e analítica. Aborda os aspectos históricos da condição feminina no Brasil a partir do ano 1500 de nossa era. Além da evolução histórica da condição feminina, a autora desenvolve alguns tópicos específicos da luta das mulheres pela condição cidadã. Conclui fazendo uma análise de cada etapa da evolução histórica feminina, deixando expressa sua contradição ao movimento pós-feminista, principalmente às idéias de Camile Paglia. No final da obra faz algumas indicações de leituras sobre o tema Mulher. (5)




Observação: Neste e nos outros exemplos de Fichas os números entre parêteses representam o que está explicado abaixo:
      (1) - Título do trabalho(*).
      (2) - Seção primária do trabalho(*).
      (3) - Seção secundária e terciária do trabalho, se houver(*).
      (4) - Numeração do item a que se refere o fichamento(*).
      (5) - Comentários ou anotações do pesquisador sobre a obra registrada.

(*) Conforme expresso no exemplo do item 5.13


      5.4.2.2 - Ficha de Resumo ou Conteúdo: é uma síntese das principais idéias contidas na obra. O pesquisador elabora esta síntese com suas próprias palavras, não sendo necessário seguir a estrutura da obra.

Exemplo:
Educação da Mulher: a Perpetuação da Injustiça
Histórico do Papel da Mulher na Sociedade ......................................................................................... 2.      
TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1993. 181 p.
(Tudo é História, 145)

      O trabalho da autora baseia-se em análise de textos e na sua própria vivência nos movimentos feministas, como um relato de uma prática.
      A autora divide seu texto em fases históricas compreendidas entre Brasil Colônia (1500-1822), Império (1822-1889), República (1889-1930), Segunda República (1930-1964), Terceira República e o Golpe (1964-1985), o ano de 1968, Ano Internacional da Mulher (1975), além de analisar a influência externa nos movimentos feministas no Brasil. Em cada um desses períodos é lembrado os nomes das mulheres que mais se sobressaíram e suas atuações nas lutas pela libertação da mulher.
      A autora trabalha ainda assuntos como as mulheres da periferia de São Paulo, a participação das mulheres na luta armada, a luta por creches, violência, participação das mulheres na vida sindical e greves, o trabalho rural, saúde, sexualidade e encontros feministas.
      Depois de suas conclusões onde, entre outros assuntos tratados, faz uma crítica ao pós-feminismo defendido por Camile Paglia, indica alguns livros para leitura.




Observação: Existem dois tipos de resumos:
      a) Informativo: são as informações específicas contidas no documento. Nesta ficha pode-se relatar sobre objetivos, métodos, resultados e conclusões. Sua precisão pode substituir a leitura do documento original.
       b) Indicativo: são descrições gerais do documento, sem entrar em detalhes da obra analisada (o exemplo acima refere-se a um resumo indicativo).


      5.4.2.3 - Ficha de Citações:
é a reprodução fiel das frases que se pretende usar como citação na redação do trabalho.

Exemplo:
Educação da Mulher: a Perpetuação da Injustiça
Histórico do Papel da Mulher na Sociedade ......................................................................................... 2.      
TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1993. 181 p.
(Tudo é História, 145)

      "Uma das primeiras feministas do Brasil, Nísia Floresta Brasileira Augusta, defendeu a abolição da escravatura, ao lado de propostas como a educação e a emancipação da mulher e a instauração da República." (p. 30)

      “Sou neta, sobrinha e irmã de general” (...) “Aqui nesta casa foi fundada a Camde. Meu irmão, Antônio Mendonça Molina, vinha trabalhando há muito tempo no Serviço Secreto do Exército contra os comunistas. Nesse dia, 12 de junho de 1962, eu tinha reunido aqui alguns vizinhos, 22 famílias ao todo. Era parte de um trabalho meu para a paróquia Nossa Senhora da Paz. Nesse dia o vigário disse assim: ‘Mas a coisa está preta. Isso tudo não adianta nada porque a coisa está muito ruim e eu acho que se as mulheres não se meterem, nós estaremos perdidos. A mulher deve ser obediente. Ela é intuitiva, enquanto o homem é objetivo’.” (Amélia Molina Bastos apud Teles, p. 54)

      "Na Justiça brasileira, é comum os assassinos de mulheres serem absolvidos sob a alegação de defesa de honra." (p. 132)



 


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